E quando se fala em "eighties" aqui no Brasil, fala-se muito em Legião Urbana, Capital Inicial, Titãs, Ultraje a Rigor, Biquini Cavadão, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e Engenheiros do Hawaii.
A Legião Urbana acabou em 1996, por conta do falecimento de seu líder e vocalista Renato Russo, mas boa parte dessa turma ainda está na ativa. Gravando acústicos, cd's e dvd's ao vivo e aos montes, lançando coletâneas e coletâneas de seus áureos sucessos, lutando contra a flacidez e o reumatismo e tendo o botox e a inabilidade das mais recentes gerações como principais aliadas.
Acontece que a maioria das pessoas que dizem gostar de rock nesse país, desconhece nomes como Agentss, Voluntários da Pátria, Cabine C, Fellini, Akira S. e as Garotas Que Erraram, Gueto, Hojerizah e Maria Angélica Não Mora Mais Aqui.
Essas bandas, juntamente com o pessoal de Brasília (a já citada Legião Urbana, Plebe Rude, Escola de Escândalos e Finis Africae), mais o Ira! e o Zero - duas bandas paulistas que alcançaram bastante sucesso, tanto comercial quanto de respaldo - formaram o pelotão Pós Punk brazuca.
Diferente da turma carioca, de letras que falavam da praia, do submundo boêmio e promíscuo do Baixo Leblon e da malandragem reinante no Rio (Herva Doce e Barão Vermelho), os "post punkers" tupiniquins traziam consigo uma bagagem com o que havia de melhor na Europa naquela época. De Joy Division, passando por Magazine, Jam, Cure, Smiths e Stranglers, os nossos roqueiros reciclaram, copiaram e cuspiram de volta toda a informação musical que fervilhava no velho continente. Repare como "Ainda é Cedo", cavalo de batalha do primeiro disco da Legião Urbana é nitidamente calcada em "A Means To An End", faixa retirada de Closer, segundo e póstumo disco do Joy Division. Aliás, Renato Russo e seus asseclas foram especialistas em chupar Joy Division, Smiths e o Cure dos primeiros anos. Ouça "Play For Today", do Cure, e responda em dez segundos com qual música da Legião ela se parece.
Claro que nem tudo era cópia ou tão descaradamente influenciado, e talvez por isso mesmo os gringos tenham descoberto o nosso Pós Punk. Tanto descobriram quanto lançaram duas coletâneas que os nativos precisam pagar uma bagatela se quiserem ter uma cópia. Estou falando de Não Wave: Brazil Post Punk 1982-1988, álbum lançado em 2005 pela gravadora Man Recordings, e que conta com a presença de Agentss (ícone do verdadeiro tecnopop nacional. pelo amor de Deus esqueça o Metrô), Mercenárias (as Slits brasileiras), Chance (deformação hermética do samba), Muzak e os reis do experimentalismo e da vanguarda, o pessoal do Vzyadoq Moe, dentre outros.
Diferente da turma carioca, de letras que falavam da praia, do submundo boêmio e promíscuo do Baixo Leblon e da malandragem reinante no Rio (Herva Doce e Barão Vermelho), os "post punkers" tupiniquins traziam consigo uma bagagem com o que havia de melhor na Europa naquela época. De Joy Division, passando por Magazine, Jam, Cure, Smiths e Stranglers, os nossos roqueiros reciclaram, copiaram e cuspiram de volta toda a informação musical que fervilhava no velho continente. Repare como "Ainda é Cedo", cavalo de batalha do primeiro disco da Legião Urbana é nitidamente calcada em "A Means To An End", faixa retirada de Closer, segundo e póstumo disco do Joy Division. Aliás, Renato Russo e seus asseclas foram especialistas em chupar Joy Division, Smiths e o Cure dos primeiros anos. Ouça "Play For Today", do Cure, e responda em dez segundos com qual música da Legião ela se parece.
Claro que nem tudo era cópia ou tão descaradamente influenciado, e talvez por isso mesmo os gringos tenham descoberto o nosso Pós Punk. Tanto descobriram quanto lançaram duas coletâneas que os nativos precisam pagar uma bagatela se quiserem ter uma cópia. Estou falando de Não Wave: Brazil Post Punk 1982-1988, álbum lançado em 2005 pela gravadora Man Recordings, e que conta com a presença de Agentss (ícone do verdadeiro tecnopop nacional. pelo amor de Deus esqueça o Metrô), Mercenárias (as Slits brasileiras), Chance (deformação hermética do samba), Muzak e os reis do experimentalismo e da vanguarda, o pessoal do Vzyadoq Moe, dentre outros.
Também em 2005, a gravadora Soul Jazz lançou The Sexual Life of the Savages: Underground Post-Punk in São Paulo, Brasil. Trabalho no qual é possível encontrar (além das já citadas Mercenárias, Chance e Muzak), Akira S. e as Garotas Que Erraram, Patife Band (o grupo de Paulo Barnabé, o irmão do Arrigo), Nau (formação semi gótica de onde saiu a cantora Vange Leonel, do hit global "Noite Preta", da novela Vamp) e Smack (de sonoridade cortante e que tinha Edgard Scandurra como principal compositor).
Ouvindo esses dois trabalhos, se tem - não a impressão, mas - a certeza de que a música feita aqui no Brasil nessa época, rivalizava de igual com a produção feita na Europa. E nem vou aqui citar os EUA, que a meu ver são terceira força nesse quesito. Afinal, o que eles nos deram dentro desse estilo específico? Apenas o Mission of Burma, que eu saiba.
Também vale ressaltar a qualidade das letras dessa turma. "Mas não troquei minha boca fechada pelas suas palavras vazias.Você me fez envelhecer um ano a cada dia", canta o Finis Africae em seu maior sucesso, "Armadilha", infelizmente não presente em nenhuma das duas coletâneas. "Por que temer viver só. Já que morremos sozinhos. Você não me engana mais. Todo mal vem de você", é o que declara o Hojerizah em "Tempestade em Viena" (outra que ficou de fora). E o que dizer da maior, da que alcançou o maior sucesso comercial dentre todas essas bandas? Aquela que transpassou a fronteira do movimento e entrou na década seguinte com status de maior banda do país? Estou falando, claro, da Legião Urbana. Seus três primeiros discos são básicos, fundamentais pra se entender e sentir o Pós Punk feito em terras brasilis. "Você é tão moderno, se acha tão moderno, mas é igual a seus pais. É só questão de idade. Passando dessa fase, tanto fez e tanto faz", canta Renato Russo em "A Dança", do debut do (então) quarteto de Brasília.
Enfim: dois registros da melhor produção "underground" feita no Brasil. Desprezados e desconhecidos aqui, mas sendo aos poucos descobertos pelos gringos. A ótima música não deve mesmo ter fronteiras.
Foto: (no sentido horário, começando por cima à esquerda) Agentss (com Miguel Barella, na guitarra), Cabine C (do ex-Titãs, Ciro Pessoa), Smack (com Edgard Scandurra, na guitarra "canhota") e Akira S. e as Garotas Que Erraram.



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